A Avaliação Neuropsicológica é um processo técnico-científico fundamental para a compreensão da funcionalidade cognitiva do sujeito, permitindo analisar, de forma integrada, aspectos como atenção, memória, linguagem, funções executivas e outros processos mentais superiores, sempre considerando a história de vida, o contexto psicossocial e as condições clínicas do indivíduo. No campo da Psiquiatria, esse recurso torna-se ainda mais relevante, pois auxilia na compreensão do funcionamento cognitivo associado aos transtornos mentais, contribuindo para decisões clínicas mais qualificadas e intervenções mais precisas.

Em minha prática profissional, atuando com avaliações neuropsicológicas em pacientes psiquiátricos, compreendi que esse processo não pode ser reduzido à aplicação de testes ou à busca por respostas objetivas e isoladas. A literatura científica destaca que a avaliação neuropsicológica deve ser compreendida como um processo contínuo de investigação, que integra dados quantitativos e qualitativos, observação clínica, entrevista, análise do contexto e interpretação cuidadosa dos resultados. Dessa forma, o foco não está apenas no instrumento utilizado, mas nas condições em que o sujeito se encontra para que os achados sejam válidos e fidedignos.
Pacientes psiquiátricos frequentemente apresentam variáveis que interferem diretamente no desempenho cognitivo, como uso de psicofármacos, alterações do humor, níveis elevados de ansiedade, sofrimento psíquico intenso e oscilações do estado mental. Esses fatores são amplamente descritos na literatura como elementos que podem impactar os resultados da avaliação, exigindo do profissional um olhar ético e tecnicamente responsável. Avaliar essas condições é parte essencial do processo, pois resultados obtidos sem o devido cuidado podem levar a interpretações imprecisas e a decisões clínicas inadequadas.
As normativas do Conselho Federal de Psicologia (CFP) reforçam esse compromisso. A Resolução CFP nº 006/2019 orienta que a Avaliação Psicológica deve assegurar condições técnicas, científicas e éticas adequadas, bem como explicitar limites e interferências que possam comprometer a validade dos resultados. Da mesma forma, a Resolução CFP nº 009/2018 estabelece que os documentos psicológicos devem apresentar informações claras, contextualizadas e responsáveis, evitando conclusões categóricas quando o contexto avaliativo não permite tal precisão. O Código de Ética Profissional do Psicólogo sustenta que a atuação deve sempre priorizar o respeito à dignidade do sujeito e à ciência psicológica.
Nesse sentido, a Avaliação Neuropsicológica em pacientes psiquiátricos deve ser conduzida com cautela, rigor técnico e clareza quanto aos seus limites. Não se trata de produzir respostas imediatas, mas de oferecer informações confiáveis que contribuam para a compreensão do funcionamento cognitivo do sujeito naquele momento específico. O compromisso do neuropsicólogo é com a validade dos dados, a ética profissional e a construção de intervenções verdadeiramente fundamentadas.
A prática responsável da Avaliação Neuropsicológica fortalece o cuidado em saúde mental, promove decisões clínicas mais seguras e contribui para uma compreensão mais humana e científica do sujeito, respeitando sua singularidade e complexidade.
Breno Alves Calil – Psicólogo
Deixe um comentário