Artigos
A Importância da Avaliação Neuropsicológica em Pacientes Psiquiátricos

A Avaliação Neuropsicológica é um processo técnico-científico fundamental para a compreensão da funcionalidade cognitiva do sujeito, permitindo analisar, de forma integrada, aspectos como atenção, memória, linguagem, funções executivas e outros processos mentais superiores, sempre considerando a história de vida, o contexto psicossocial e as condições clínicas do indivíduo. No campo da Psiquiatria, esse recurso torna-se ainda mais relevante, pois auxilia na compreensão do funcionamento cognitivo associado aos transtornos mentais, contribuindo para decisões clínicas mais qualificadas e intervenções mais precisas. Em minha prática profissional, atuando com avaliações neuropsicológicas em pacientes psiquiátricos, compreendi que esse processo não pode ser reduzido à aplicação de testes ou à busca por respostas objetivas e isoladas.
O mal-estar na civilização e a dependência de substâncias na contemporaneidade

Mais do que a busca do prazer, o uso repetido de substâncias aparece, muitas vezes, como uma estratégia de evitação do desprazer. Trata-se de uma solução imediata para conflitos que não encontram simbolização suficiente. Contudo, como Freud já indicava, tais soluções são provisórias e tendem a gerar novas formas de dependência, intensificando sentimentos de culpa, exclusão e perda de autonomia. Assim, a dependência de substâncias pode ser entendida não apenas como uma patologia individual, mas como um sintoma social, expressão de um mal-estar que atravessa a cultura contemporânea. Reconhecer essa dimensão amplia a compreensão clínica e social do fenômeno, reforçando a importância de abordagens que considerem o sujeito em sua singularidade e em seu contexto histórico e cultural.
Dependência química: Os discursos que performatizam os usuários

Ao longo do tempo, os sujeitos que utilizam substâncias psicoativas foram interpretados a partir de diferentes discursos, que não apenas orientaram práticas de cuidado e controle, mas também produziram formas específicas de nomeação, estigmatização e intervenção sobre esses indivíduos. Historicamente, o uso de drogas esteve associado a concepções morais e religiosas, nas quais o sujeito era visto como pecador ou desviado, sendo alvo de punições ou práticas de “cura”. Com o avanço do discurso médico e das reformas sociais, a dependência química passou a ser compreendida como um problema de saúde, deslocando o foco da criminalização para o tratamento.